Ela lhe diz que sim, mas meneia a cabeça
A criança se diz inocente depois da brincadeira travessa
O texto parece concordar, mas era na verdade cinismo
O altruísmo parece bondade, mas continua egoísmo
Quem exalta demais as próprias qualidades nem precisa ter os defeitos subtraídos
A moral é puritana e recatada mas perdemos a conta de quantos são os maridos traídos
Você diz que imagem não é nada, pois o que conta é a Essência
E por isso vai às lojas e só compra roupas de excelência
Quem desdenha dos outros precisa de lupa para no espelho se enxergar
O trabalho glorifica, mas ninguém quer passar, lavar, servir, engraxar
Se é homem não pode haver choro
Aqui se faz, aqui se paga - em dobro!?
Pensamos uma coisa, dizemos outra, fazemos outra
Achar virtudes é como achar num chiqueiro uma ostra
Do berço ao túmulo nossas vidas hão de ser somente ninharias?
É preciso saber ler nas entrelinhas!
27 maio 2011
26 maio 2011
05 maio 2011
O Mundo em Polvorosa
Isso tudo acontecendo e eu aqui na praça
Dando milho aos pombos.
Zé Geraldo, Milho aos Pombos.
Os homens se reúnem em multidões, com ardente entusiasmo, para assistir a uma tragédia: havendo uma execução na rua vizinha, como observa o Sr. Burke, o teatro estaria vazio.
William Hazlitt, Do Prazer de Odiar.
No dia 11 de setembro de 2008, me lembro de mais de uma enquete, feita por um ou outro portal de notícias, que perguntava o que os leitores estavam fazendo no exato momento dos ataques em 2001. Uma ou outra pessoa abria presentes de aniversário, mas a maioria simplesmente viu pela TV. Uma moça contou uma história impressionante de como chegou lá na manhã dos ataques – sua primeira vez em NY –, e ficou hospedada na casa de amigos, a quatro quadras do WTC.
Eu estava em Irecê. Era dia de prova de história e geografia (que eu sempre terminava cedo). Por isso, já estava em casa, jogando Olimpic Gold, por um emulador do Mega Drive, com Hugo Doido, quando minha mãe, que possui uma veia épica (veja aqui), entra em meu quarto, desesperada: “Liga a TV! Estão explodindo tudo lá fora! O mundo vai acabar!”. Eu não dei muita atenção a seus exageros, e por isso não vi ao vivo o segundo ataque.
Abalou-me muito mais quando vi o filme sobre o terrorismo poético de Phillippe Petit, que atravessou as torres numa corda bamba. Também me abalou mais, admito, a morte de Bin Laden, que soube pelo portalzinho de notícias que abre automaticamente quando conectamos no MSN. Claro, pois agora, além de mais velho e (supostamente, apenas supostamente) mais maduro, estava contextualizado com a notícia. Esta foi a mesma maneira que eu soube da chacina de Realengo. Sim, soube por uma notícia em inglês! Por mais que tente manter equilibrados os meus arroubos de nacionalismo – pois seus extremos podem gerar xenofobias e tragédias piores –, não há como ignorar o nome do seu país, num portal onde normalmente só há notícias que não me importam e dicas para adolescentes. Em épocas do lançamento da animação Rio, pensei: “legal, tão falando do Brasil!”. No mesmo momento percebi meu engano. As coberturas nos telejornais foram longas. Creio que as últimas que eu tinha visto assim foram a visita de Obama e os ataques aos morros dos traficantes (sempre o Rio de Janeiro!).
Mas eis que, apenas algumas semanas depois de Realengo, vejo outra cobertura longa: o mundo só fala no casamento inglês. Foi lindo, até o ranzinza clima londrino resolveu contribuir. Obama não foi. Visitava as vítimas dos furacões que destruíam o seu país. Mas dois dias depois, ele rouba a cena dos ingleses e anuncia a morte de Bin Laden (ironicamente, a expressão em inglês para “roubar a cena” é rain on [nome próprio]’s parade, choveu no desfile dos ingleses). E o que sucede? Coberturas longas (quem mais se lembra de tsunamis e furacões?). Além disso, ninguém sabe, mas, entre os dois dias, morreu o grande escritor Ernesto Sabato. Não chamou tanta atenção do mundo quanto Saramago, mesmo tendo este morrido na época da copa (minha mãe chorou por ele e por Salinger, mas duvido que o tenha feito por Sabato). E as notícias continuam e continuam, mas eu não dou conta de acompanhar (penso nos absurdos extraordinários que ainda verei pelos MSNs e portais da vida: “Invasão alienígena!”, “Jesus voltou, e tem olhos charmosos!”, “O Bahia foi campeão!”).
A sensação que me dá com tudo isso é o inverso da que nos alerta o profetinha em O Bandido da Luz Vermelha, de que “o terceiro mundo vai explodir”. Parece que o mundo inteiro vai explodir, mas nós permaneceremos intactos, pois estamos muito à margem (só explode o Rio de Janeiro). E veja, nem posso alegar que estou num deserto de tédio, pois tive um final de semana cheio (que minhas professoras não saibam, pois lhes devo resenhas): além de ver notícias e correr da chuva, fui num show de rock, numa ópera e numa orquestra, vasculhei a sessão de literatura e de biografias do Brandão e do sebinho da esquina de lá, li umas 100 páginas de Lolita e mais um sem número de textos esparsos, escrevi mais umas 12 de prosa (sem contar esse texto, que veio depois) e a letra para uma canção, me preparei pra uma prova e um seminário, vi dois jogos de futebol e um de futsal, vi pessoas, tomei umas, e, ainda por cima, preparei todas as minhas refeições, dei faxina no apartamento e lavei minhas cuecas.
Mas ainda assim, tudo isso só importa pra mim, e não basta. É preciso ser mais que uma daquelas pálidas existências de que nos falam o biógrafo da Senhora Bovary e os filmes escritos por Kaufman. Claro, não são todos que têm a ventura de casar com pompas reais, de escrever uma obra grandiosa ou de poder anunciar que mandou dar uns tiros na cabeça de seu inimigo número um. Mas os que estão por perto ao menos poderão dizer que estiveram lá. Como o sujeito que nasceu há dez mil anos atrás, com a pele muito bronzeada e com olhos azulados pela catarata, poderão dizer: “mas eu vi, reles mortal, eu vi!” (já eu, não vejo nada: exatamente no dia de minha aula [de dois na semana!], um ônibus explode a poucos passos de onde moro, e eu não estou lá).
A verdade é que esta sensação só me é possível por causa destas coberturas de telejornais, que fazem com que Londres e NY pareçam estar muito mais perto do que são. Imagino dois turistas (não viajantes) conversando, num futuro não sei se próximo ou distante. “Eu estava no Egito em 2011”. “E aí, tomou umas pauladas, pelo menos?”. “Não tive tanta sorte, mas ao menos estava lá”. A diferença entre o turista e o viajante se mede em quantos centímetros cada um esteve de tomar estas pauladas.
Machado de Assis diz que “o mundo era estreito para Alexandre, e um desvão de telhado é o infinito para as andorinhas”. Pois é. Nem sempre me senti assim. Irecê era enorme, e enquanto eu crescia, ela ia diminuindo, até que e eu vim para Salvador, que já diminuiu demais com o tempo. Para além da emigração em busca de oportunidades ou de melhores condições de vida, esta sensação de não-pertencimento explica a leva de auto-exilados (penso em Wim Wenders, Bob Dylan e Sebald), que às vezes largam mão de certo conforto, para ver in loco o que está acontecendo no mundo. Piza disse esses dias que “pensar enquanto se movimenta é a alma da grandeza”. Não imagino um índio, cujo mundo sempre foi sua tribo, com estes desejos de exploração, quando nem sabem o que há além. Só se pode querer ir Marte depois do conhecimento de que ele existe e que é possível de ser alcançado (como a caverna de Platão).
Para fazer um resumo de tudo, usando o exemplo de quem saiu daqui da Bahia, todos torcemos (o velho nacionalismo) para que Daniel Alves tivesse feito o gol da classificação do Barça. Imagino que ele pudesse ter desejado o mesmo, mas importa mais o fato de estar lá e vencer. Enquanto isso, o mundo pipocando lá longe, e as coberturas jornalísticas vendo tudo de camarote, tentando se aproximar o máximo possível, apenas para que esqueçamos na próxima semana, pois temos cuecas para lavar.
Paulo Raviere
04 maio 2011
Sobre todas as coisas
Interessam-me frascos e comprimidos,
capsaicinas, penicilinas,
Iluminismo, fracos e oprimidos,
fenóis, bemóis, lençois e as tuas almofadas.
Interessam-me o amor, a dor, a cor, a temperatura,
a forma, o gesto, o gozo, alegria
e além do mais textura, e além de tudo folia.
Interessam-me partituras, arranjos moleculares e poesia.
Interessam-me sensibilidade e mente e coração abertos,
também me alegram maravilhas de engenharia
e as almas livres, e os corações soberbos.
Juliano Dourado Santana
11 abril 2011
Em defesa das cores
Qual o legado de um cético? Refiro-me aqui a profissionais específicos, um típico Richard Dawkins, um Bertrand Russell ou todos aqueles que elegeram deus e qualquer subjetividade como inimigos da verdade. Qual mundo nós herdaríamos destes sujeitos?
04 abril 2011
As mulheres de Chico Buarque
As mulheres de Chico Buarque (parte 1)
O gênio de Chico Buarque se expressa inúmeras vezes em poderosas figuras de pensamento e de linguagem e no manejo hábil com as palavras. Apenas ele é capaz de assentar na letra de uma melodia palavras como paralelepípedo (Vai Passar) ou saracoteando (Já passou) sem prejudicar a frase musical e enriquecendo o sentido do texto! Basta você comparar, na contramão, com pérolas de outros compositores famosos; do Nasi, por exemplo - aquele que parece o Wolverine, compositor do Ira – cujo trabalho o humorista Danilo Gentili resume maliciosamente assim: “Rima você com você, pronto aí, genial”. Aliás, clique no link: http://www.youtube.com/watch?v=VOCzrNh_ygg&feature=related e divirta-se um pouco.
01 abril 2011
Os cem de Ceni
Essa semana começou muito bem para mim. Finalmente arrumei um apartamento, terminei um texto longo, conheci umas pessoas legais e ainda por cima, teve aquele jogo de domingo.
Pra quem não está muito ligado em futebol (o que eu não creio muito, mas também não duvido), neste domingo, o goleiro e capitão do São Paulo Futebol Clube, Rogério Ceni, fez o centésimo gol de sua carreira. Isso tudo se torna ainda mais interessante por ter sido contra o rival Corinthians, que não perdia para o São Paulo faz alguns anos, tendo resistido mesmo à vitoriosa equipe de 2007, que atropelou quase todos os times do campeonato brasileiro. O time veio a rebaixar em tal campeonato.
28 março 2011
Anti-Foucault: ou O Fabuloso Gerador de Lero Lero¹
“Essa escura claridade a cair das estrelas...”, escrevia um dramaturgo francês no século XVI. E o leitor se espantará incrédulo: escura claridade? Talvez até pense como eu: o cara que escrever isso numa dissertação para vestibular está fudido! Essa figura de retórica, essa aliança de antinomias - essa loucura, eu diria - tem um nome específico e bem feio: Oxímoro. Minha opinião é a de que o nome é tão feio quanto o efeito que ele causa.
17 março 2011
16 março 2011
De que maneira a pena de morte pode ser a favor dos Direitos Humanos.
É uma verdade reconhecida que nosso século tem posto as palavras nos lugares não habituais: “direitos humanos”, por exemplo, é uma expressão que arrebanha junto de si uma confusão de palavras (confusão maior, talvez, do que uma multidão aleatória de recortes de jornais espalhados sobre uma mesa). E confusão é eufemismo, para evitar dizer turbilhão, caos, bagunça ou arruaça.
20 fevereiro 2011
13 fevereiro 2011
A misteriosa
A Paulo Raviere e Janine Oliveira
A história que lhe contarei é sobre a mulher mais excêntrica que já entrou no meu bar. O nome dela é Mohamed, e isso é tudo o que sabem sobre tal figura. Ela tem estatura mediana, é magra, cabelo curto e liso, possui leves traços indígenas e reza a lenda de que ela veio do Acre e os fuxiqueiros de plantão até apontam um certo parentesco com a candidata do PV(Partido Verde): Marina. Vai saber, né?
A história que lhe contarei é sobre a mulher mais excêntrica que já entrou no meu bar. O nome dela é Mohamed, e isso é tudo o que sabem sobre tal figura. Ela tem estatura mediana, é magra, cabelo curto e liso, possui leves traços indígenas e reza a lenda de que ela veio do Acre e os fuxiqueiros de plantão até apontam um certo parentesco com a candidata do PV(Partido Verde): Marina. Vai saber, né?
17 dezembro 2010
01 dezembro 2010
Scott Pilgrim vai ao banheiro
“Somos todos adultos aqui, certo?”
Scott Pilgrim (Michael Cera) em Scott Pilgrim contra o Mundo.
Zeitgeist, termo alemão, se refere ao espírito de um tempo ou época, o que é sempre difícil de demonstrar. Phillip Larkin, em seu poema Annus Miriabilis, sobre o ano de 1963, menciona Lady Chatterley e o primeiro álbum dos Beatles. Mas podemos também falar da década de 60 como um todo, e aí não poderia faltar Dylan, Kennedy, Crumb, Luther King, a guerra do Vietnã, as manifestações de 68, os beatniks, a guerra fria, a nouvelle vague, a contracultura, entre tantas outras coisas. Assim, o espírito desta época está representado por ícones, obras representativas e grandes eventos. Se referindo ao Brasil, falamos também da jovem guarda, de Chico Buarque, de Pelé, da bossa e do cinema novo, da ditadura.
O tempo não está dissociado do espaço. Por isso, quando falo de minha geração, não posso falar da época como um todo, mas de tendências. O geek que inventa uma maneira de viabilizar a transmissão de vídeos ao mundo inteiro certamente é mais influente que o roceiro de mesma idade que só quer saber de roubar goiaba. Ambos compartilham a mesma época e o mesmo planeta, mas um fez mais diferença. Não podemos culpar o roceiro. Mudar o mundo nem sempre é uma obrigação.
De qualquer forma, é mais fácil falar do passado quando ele já é velho; talvez esquecido, ultrapassado ou consolidado. O tempo perdido de Marcel Proust. Quando algo ainda é novo, ou ainda está acontecendo, as opiniões divergem. As interpretações são variadas. Já vi muitos nomes pra minha geração: Millennials, geração Y, MTV, “pós-tudo”, mas ainda me reservo a não chamá-la por nome nenhum. Considero-a um grupo composto por pessoas que passaram, principalmente em cidades, sua infância e adolescência entre o final dos anos oitenta e o começo deste milênio. Historicamente, poderia dizer que começou com a queda do muro de Berlim e vai até o 11 de setembro. Mais ou menos. Minha geração não tem certeza de nada. Esses simplesmente são fatos marcantes que podem definir este entreato. Poderia ainda dizer que ela aconteceu entre os videogames de 8-bits e o Playstation.
A grande batalha, para nós, crianças, era entre Sega e Nintendo; aos um pouco mais velhos, Guns ‘n Roses e Nirvana. Sendo herdeiros de revoluções anteriores, divórcios, televisores e videocassetes em casa, mulheres trabalhando, falar desavergonhadamente de sexo, clipes nonsense não eram coisas estranhas. A narrativa fragmentada de Tarantino já era acessível e comerciável. Nossa base informativa era audiovisual. Eu praticamente aprendi a ler com revistas sobre jogos de videogames (muitos dos quais eu só vim ter acesso depois da internet, com os emuladores). Uma vez, num seminário sobre games, vi que as pessoas suspiravam diante de imagens de jogos como Street Fighter e Monkey Island. Falavam da importância e influência deles como meus professores eruditos falavam de Borges e Cervantes.
Disso tudo começam os problemas. Nós crescemos. Crescemos trancados em casa jogando videogame, agora estamos perdidos. Hoje, possuímos a informação que um velho juntava em vida e a mesma maturidade adolescente. Como se uma coisa compensasse a outra. Não experimentamos como as gerações anteriores. Não fomos à guerra, não enfrentamos milicos, não fomos exilados, não nos escondemos de ninguém, não velamos nossos pensamentos por pressão ou “respeito” a autoridades. Em compensação, eles também não experimentaram como a nossa. Derrotamos Robotnik e salvamos a princesa Peach várias vezes, ganhamos sozinhos campeonatos de basquete, luta, futebol, fórmula 1, várias medalhas de ouro nas olimpíadas, vencemos guerras mágicas, militares, divinas, estelares, e livramos o mundo do tentáculo do mal. Nossa humana necessidade de mitos foi saciada pelos games, onde nós mesmos encarnamos nossos heróis. Enquanto isso, nossos irmãos mais velhos ouviam punk rock na sala de jantar, com os pais, fumando e bebendo despudoradamente, enquanto os ensinavam a usar o Windows 95.
Por isso mesmo, imaginava que um possível revival dos anos 90 seria realizado silenciosamente. Cada um sozinho em seu quarto jogando Mortal Kombat ou Zelda por um computador, ouvindo Blur, Oasis e Mamonas Assassinas. A televisão ligada na MTV para lembrar os velhos tempos em que éramos escravos do horário e do conteúdo televisivo.
Mas me enganei. Parece que crescemos mesmo. E trouxemos nossa experiência conosco. Os nerds são fofinhos, as meninas jogam videogame, ler quadrinhos é cool, ouvimos rock em qualquer lugar. Ainda assim, somos obrigados a fazer qualquer coisa. Nossos pais não nos toleram mais sem fazer nada da vida. Agora, nós produzimos as histórias que gostaríamos de ouvir. Os autores e as obras representativas de minha geração começam a aparecer: Superbad, MSP 50, Daniel Galera, Minusbaby, The Big Bang Theory, Maspoxavida, Apenas o Fim e aquele que, finalmente, me parece ser o grande passo inaugural no revival dos anos 90: Scott Pilgrim.
Surgido primeiramente como uma divertida HQ de Brian Lee O’Malley, Scott Pilgrim é pop até a veia. O nome vem de uma música de banda indie, o desenho é uma mistura de mangá com quadrinho underground, o texto abusa de referências a games, músicas, filmes, outras HQs, propagandas, clipes e o diabo. O filme não usa tantas referências, mesmo porque a mídia não permite (são umas 1000 páginas de quadrinhos!). Em compensação, dialoga melhor com elas. Por se tratar, em sua maioria, de referências audiovisuais, elas ficam melhor na tela.
Não há muito que dizer do enredo: precisa ser visto ou lido. Scott, de 23 anos, arruma uma namorada do colegial e a trai com Ramona Flowers (linda, do cabelo colorido!), por quem se apaixona. Mas para ficar com a moça, ele precisa derrotar seus sete “ex do mal”, como os chefões de jogos 16-bit. Mas Scott é bem aluado. Quando se vê num dilema, sua solução é divagar coisas sem sentido, até chegar à conclusão de que o certo é ir ao banheiro e evitar o conflito. Ou lutar, quando alguém o manda fazer. Comportamento típico adolescente. No mais, só vendo (a trilha do filme é o que há).
Fico feliz em pressentir minha geração como centro de um novo revival. Não agüentava mais o dos anos 80. Esta geração que veio após a minha, a geração playground, a que cresceu falando inglês e que teve acesso a tudo, a da banda larga, música de computador e dos games ultra-realistas, a dos vegetarianos sexualmente indecisos, que está bem representada por Kick-ass, talvez ela torça o nariz para a breguice dos anos 90, assim como eu detesto quase tudo dos 80; mas não deixo de pensar, com um sorriso descarado, que eles estarão um tanto mais perdidos que nós quando chegar sua vez.
Paulo Raviere.
24 novembro 2010
Novos apontamentos sobre a abolição da escravidão
Esqueça-se a visão senso-comum de que a boazinha princesa Isabel, num gesto piedoso, resolveu libertar os coitadinhos negros do julgo da escravidão, assinando a Lei Áurea. Pensem se isso poderia ser de alguma maneira coerente. Afinal, e quanto a todas as fugas de escravos e toda a movimentação abolicionista? Por que não os haveria libertado antes? Seria possível que, com tanta gente mobilizada em torno do assunto, a abolição fosse obra de uma só pessoa? Isto é, esta história tem outros personagens que desaparecem escondidos sob a sombra mitológica de Isabel: os próprios escravos, os seus senhores, ex-escravos, oficiais do exército, os emigrantes, o nordestino, etc.
18 novembro 2010
Até o século XIX, pretos não tinham alma: A escravidão de outrora Versus o racismo velado de agora
O sub-título é extravagante, eu sei. Veja-se como exemplo o Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis, um dos maiores clássicos da literatura nacional e talvez mundial. Antes, advirto que não se trata de taxar o Machado de racista. O autor transcreve bem, em uma passagem literária, uma cena do cotidiano do Rio de Janeiro no início do século XIX. Ora: o livro é de 1881, e a retratar o início daquele século; os negros, por sua vez, só seriam libertos pela Lei Áurea em 1888.
16 novembro 2010
07 novembro 2010
Amacabeada
Tinha olhos que só viam o pior, sendo pior mesmo era a cabeça acompanhar o que achava ruim nas imagens e idéias delas construídas, numa criatividade tão absurda que nunca conseguia empregar em coisa de futuro. O juízo antes era de tamanho bom, porém, de folgado passou a se apertar com tanta imaginação dentro. Nunca desejou tanto pensamento junto e assim aprendeu na cara de lia a sua fuga – veja só que armada, fugir é coisa de muita esperteza veja lá quando se consegue a proeza de correr de si mesmo.
27 outubro 2010
23 outubro 2010
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