05 maio 2011
O Mundo em Polvorosa
25 fevereiro 2010
Sobre a moral esclarecida
29 janeiro 2010
Uma lágrima para um velho rabugento

Eu gosto dos rabugentos. Tenho até textos inéditos falando disso. Realmente me sinto bem quando me deparo com um. Há algo mais engraçado que o rabugento que, além de reclamar da própria miséria, ainda tenta humilhar alguém ao mesmo tempo? Lembro-me de ter rido horrores com um velhinho perneta que morava no mesmo prédio que eu e que tirava os dias para, do terraço, sentado numa cadeira de rodas, olhar o movimento na rua e ler o jornal. Não há como não se compadecer de um velhinho perneta; e foi nessas condições que um sujeito, um miserável com cabelinho de Beckham, com um sorrisão idiota, começou a cantar em seu ouvido musiquinhas sobre a beleza da vida e similares. O rabugento, com estilo, desferiu-lhe um tapa com as costas da mão e, como se o desprezo pelo sujeitinho fosse tão grande que ele fosse indigno mesmo daquelas três palavras, gritou com a voz grossa e lenta: “deixa eu fumar!” Foi quando eu me compadeci do perneta.
Mas eu falo isso tudo apenas para ilustrar que meus rabugentos favoritos são os velhos, ficcionais ou não. Todos têm seus momentos de rabugice, mas o privilégio de realmente ser rabugento é algo que se conquista com esforço, com erro e repetição, com uma vida inteira de cansaço, e é valoroso admirar um mestre no ápice de sua arte. Os exemplos famosos são fartos: Woody Allen, Harvey Pekar, Crumb, o velhinho de Up, o Sr. Kowalski, de Gran Torino, e o próprio Clint tem algo assim, João Gilberto, Salomão, Alan Moore e, um caso particular, Jerome David Salinger.
O personagem principal de Salinger, Holden Caulfield, protagonista d’O Apanhador no Campo de Centeio (The Catcher in the Rye), é um jovem verdadeiramente rabugento. Reclama do assobio de um, se irrita com um colega perguntador, e quando algo lhe agrada, ele sempre o afirma com um tom de reclamação. Salinger não fica atrás. Publicou sua obra prima em 1951, e pouca coisa depois, até finalmente parar de publicar em 1965, sem maiores explicações.
Em relação à obra, Salinger nunca permitiu que adaptassem suas obras para o cinema, não aceitava desenhos na capa de seus livros, muito menos qualquer texto na orelha, as traduções dos títulos em edições estrangeiras são sempre, obrigatoriamente, ao pé da letra, além de mais um infinito de condições. Em sua vida particular, se retraiu numa casa em New Jersey, e não permitia que tirassem fotos, não recebia visitas, nem dava entrevistas, como todo bom rabugento.
Mas parece que não sou o único a gostar dos rabugentos. O Apanhador é um dos ícones do século XX; alguns, ainda que exageradamente, alegam até que o rock e a rebeldia adolescente começaram ali. Enquanto isso, Salinger, para a sua desgraça, foi seguido por uma legião de fãs, de stalkers aos imitadores de sua literatura, em grande parte adolescentes aspirantes a escritor, por causa de Caufield. É com aquele pesar indiferente que sempre reservamos aos famosos que nos agradam, que eu soube ontem que o velho desagradável tinha morrido, aos 91 anos.
Dizem que escrevia continuamente, apesar de não publicar. Com sua morte, seus textos inéditos devem vir à tona. Isso torna o caso de Salinger raro na história, pois apesar da tristeza com sua morte, os seus verdadeiros fãs, órfãos de sua obra após seu auto-decreto de silêncio, os fãs que leram tudo publicado por ele, ao tempo que choram, se contorcem de alegria; Salinger morreu e, de acordo com os boatos e para a felicidade geral dos herdeiros, livros inéditos virão. O velho rabugento não se importa mais.
Paulo Raviere
14 janeiro 2010
Uma Confraria de Tolos (o livro)
23 dezembro 2009
Artístico - Parte Final
A arte (e a sedução) evoluíram ao mesmo tempo como um indicador de aptidão e um meio de obtenção de vantagens reprodutivas, através da influência indireta do status. (E isto não será difícil de compreender se observarmos a atração que os artistas exercem sobre os fãs).
20 dezembro 2009
Artístico - Parte 02
17 dezembro 2009
Artístico - Parte 01
Avaliar as coisas de uma perspectiva histórica é sempre difícil – embora nós os historiadores objetem que útil e gratificante. Difícil, porque o passado é uma coisa que não está mais lá à mostra, e difícil também porque o passado não é igual ao presente, simplesmente.
08 dezembro 2009
As incríveis aventuras de Cícero
03 dezembro 2009
Mais uma vez:por que ler?
Por que ler? Ítalo Calvino simplesmente diz que é melhor ler do que não ler. É uma resposta que convence pela sua simplicidade. Mas o caso é que a pergunta continua a ser feita: por que ler? O fato de tal pergunta existir me soa estranho. Não pela pergunta em si, mas porque muitas pessoas a fazem sem se perguntar de outras coisas que, analisadas mais calmamente, não fazem tanto sentido. Por que usar gravatas? Por que tanta pressa? Por que sorrir? Por que ouvir música? Por que andar de bicicleta? Por que trabalhar tanto e produzir tão pouco? Por que viver, ora bolas?
27 novembro 2009
Preocupações de um homem à beira do abismo.
24 novembro 2009
Lições de Amor e Sexo
A mulher do vizinho só é melhor do que a sua enquanto ela é a do vizinho. Experimente torná-la sua e você verá doce tornar-se amargo.
Se você acha que ela não te trai, é porque ela trai. Com certeza.
Se você acha que ela está te traindo, você se enganou.
Mulheres não deixam pistas, além de serem todas atrizes. Ela vai trair sem que você note. Atenção. Se notar, é um traveco!
Se você acha que ele não está te traindo, ele está.
Se você acha que ele está mesmo te traindo, é porque ele está mesmo! Homens traem, não adianta refutar, é da natureza humana.
Todos os homens se esforçam para parecerem ser o melhor possível enquanto tentam conquistar determinada mulher. Se ele a fisgar, distrai todo o esforço no sentido de conquistar outra.
O amor é um jogo: se muito fácil, é entediante; se muito difícil, o abandonamos. À mulher é preciso saber lidar com essa situação e aprender a adestrar bem o seu homem.
Mentir ajuda as pessoas a se relacionarem; descobrir as mentiras arruína tudo. Assim, ou não minta nunca ou jamais permita que as mentiras sejam descobertas.
Arrume uma namorada. Homens sem namorada se comportam como gatos domésticos: putões irresponsáveis que vão a qualquer canto da cidade atrás de diversão sexual.
A mulher diz que não conhece nada como o amor; o homem diz que não conhece nada como o sexo. Mas é só o que ambos dizem.
Se ele te troca para ir jogar bola, não pense que ele não te ama. Todos os homens são assim. Se não, desconfie: não é verdadeiramente homem.
Comer uma puta não é a mesma coisa que fazê-lo com uma namorada: em um dos casos você não usa a camisinha.
Sexo com amor: é bom. Amor sem sexo deve ser um tipo inferior de amizade. Sem sexo é de todo modo ruim! Sem amor, triste.
Se ele não olha para as outras mulheres quando anda com você na rua, cuidado. A única explicação provável é que ele faz muito pior quando você não está com ele.
O amor sempre acaba bem. Quer dizer, sempre acaba.
Juliano Dourado Santana