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06 agosto 2010

Do começo ao fim.

Você foi a minha vida, hoje é a minha morte e amanhã quiçá minha liberdade conquistada!

Você foi o meu sorriso e hoje é minha angústia, a minha pureza e agora minha sujeira. O meu descanso e o meu tormento. Um sonho e um pesadelo. O amor e o ódio.

Você foi a ideologia dilacerada, o desejo interrompido e o sexo mal acabado.

Você foi o delírio dos casais apaixonados e o pranto dos desesperados, foi a verdade absoluta e a mentira dissimulada.

Você foi o desejo de uma gestante e o repúdio de um desvairado.

Você foi o sorriso de uma criança, hoje, o olhar triste de um condenado.

Você foi um dia lindo e uma noite sombria, foi a calmaria de um coração inquieto e hoje a tempestade de um coração apaixonado!

Você foi o carnaval. Ah... O carnaval! Agora a marcha fúnebre.

Hoje você é uma vida não vivida, o tempo perdido e os dias infinitos...

Os sonhos não realizados.

O beijo não roubado!

A mãe desolada, a criança abandonada e uma alma já cansada.

Hoje é um navio negreiro, o cheiro de clorofila aprisionado no cárcere de meu passado iludido. Roubou minha paz e minha esperança. Levou meu sorriso e minha alegria!

Sinto, pois foi você o meu amor, meu grande e único amor. Hoje, a mais frustrante lembrança que corrói todos os dias minha alma apaixonada.

Ainda dar-te-ia um longo beijo banhando em doce veneno até que nos consumíssemos, e então, o levaria para o inferno em que a minha vida se transformou.

Hédigila Thábata