11 abril 2011
Em defesa das cores
07 outubro 2010
Acentos
Cadeira é cadeira,
sem o “r” é cadeia,
prisão ou evolução.
Pra quem nasceu agora,
cadeira de bebê.
Se comer direitinho,
cadeira do presidente.
Pra quem cansou de andar,
cadeira de balanço.
Pra quem não pode, de rodas.
Pra quem andou de mais,
elétrica.
Rodolfo Carneiro
23 setembro 2010
Quando eu vou
Esse problema não é de ninguém,
tropeçamos nele, levantamos e seguimos.
É um imenso problema,
mas não é meu.
Se quiser, leve-o com você.
Dê-lhe banho, corte as unhas, faça como quiser.
Mas não o deixe aqui, na minha frente.
Porque aqui eu o vejo, o sinto,
e não o quero sentir, ver, cheirar.
Leve-o e lhe darei alguns trocados,
Mas nunca mais apareça, você, ele e todo o resto.
Suma, e suma comigo também,
me desapareça.
Mas me desapareça devagarzinho
que é pra eu poder lembrar por que eu quis assim.
18 setembro 2010
Março
um amontoado espera.
Está oco,
as roupas lhe mantêm a solidez,
uma lembrança o liquefaria.
Vota, consome, fode e reza,
Mas não existe, não está.
Perdeu a si mesmo sozinho,
errou o caminho,
envelheceu.
Cadê o antigo futuro?
Onde o deixou?
Em cima da estante,
no porta-retrato irreconhecível?
No amigo que morreu de repente?
Ou naquele dia perfeito que insiste existir?
Sacode a cabeça homem!
Tome o meu lenço.
Viva o que é, uma extravagância passageira.
Se puder, espera.
Espera o inevitável.
Espera o ônibus.
Espera eu desmentir o seu poema,
mas não me espere mais.
Rodolfo Carneiro
29 abril 2010
O espetáculo da verdade
29 março 2010
Sob nova direção!
25 fevereiro 2010
Sobre a moral esclarecida
08 dezembro 2009
As incríveis aventuras de Cícero
21 novembro 2009
A sombra do que não se vê
28 outubro 2009
Do direito das pessoas e das pedras
29 setembro 2009
Campo Santo: O Retorno
23 setembro 2009
As luvas da mão invisível
Como são prazerosos os filmes de ficção científica, prazerosamente ridículos. É um exercício de humor ver nos filmes de ontem o futuro que vivemos hoje. Tudo é muito extravagante, muito brilhoso, há distopias, computadores egocêntricos e roupas lamentáveis. Claro, são filmes de ficção, é arte, e à arte permitimos qualquer tipo de insensatez - normalmente. Mesmo assim são prazerosos, permitem-nos desenvolver uma espécie de sabedoria atrasada, póstuma, capaz de solucionar problemas que já não existem mais.
25 agosto 2009
Post R003/09
22 agosto 2009
Sob a razão
03 agosto 2009
Klaatu barada nikto
Certa feita, meu amigo e parente Raviere intimou-me, como é do seu feitio, a assistir o preto-e-branco O dia em que a terra parou (The Day the Earth Stood Still, Robert Wise). A data escapa à memória, mas estávamos próximo do lançamento de um remake homônimo. A situação era uma oportunidade de exercitar meu pedantismo cinematográfico, declarar para mundos e fundos como o original era superior (declaração comprome-tedora, “superior” virou palavrão). E de fato a refilmagem é uma cretinice. Paciência! Neo, vulgo Keanu Reeves, e sua enigmática cara de paisagem, somado a um argumento estrategicamente encomendado engrossam a famosa teoria-do-remake-que-fica-pior-que-o-original. Já o filme de 1951, que também não é a bússola do cinema, segundo meu criterioso bom senso, tem um desfecho bacana e é disto que gostaria de tratar.